domingo, 29 de março de 2020

The Devil's Advocate (1997)

Jonathan Lemkin escreveu um brilhante argumento baseado no livro de Andrew Neiderman, que deu origem a um dos melhores filmes dos anos 90, injustamente esquecido pelas areias do tempo. Recordo-me que foi talvez o primeiro filme que vi no Cinema com o Keanu Reeves, e com o Al Pacino.

Este intrigante enredo conta a história de um excepcional advogado da Florida que recebe uma proposta de trabalho extraordinária numa firma de advocacia em Nova Iorque, em que trabalhará muito próximo do seu patrão, e tudo o que poderia ser um autentico conto de fadas numa cidade incrível, acaba por ficar assombrado por uma série de acontecimentos bizarros que vão acrescentando a este thriller uma tensão enorme que transborda de forma muito natural para o espectador.

Num drama brilhante de onde se destacam as interpretações de Keanu Reeves, Al Pacino, e Charlize Theron, este filme que envolve também um certo mistério venceu o teste do tempo, e ainda hoje em dia considero dos melhores filmes de sempre, que apesar dos vários prémios que venceu, foi entre muitos outros ao longo dos anos, esquecido por outras Academias. Nada que belisque o tremendo clímax que é assistir a esta grande película.



sexta-feira, 27 de março de 2020

The Runaways (2010)

Este filme biográfico é muito mais do que um retracto sobre a primeira banda de rock formada apenas por mulheres, das suas lutas, dificuldades naturais aliadas às dores de qualquer começo, e às peripécias de nos anos 70 de se mulher num género liderado por homens, e ter que por o pé na porta com a pujança exigida ao género musical que pretendiam tocar, e que o tocaram de forma a revolucionar para sempre o rock.

É o retrato da luta contra o conservadorismo, contra algum preconceito, contra todas as probabilidades que estavam a desfavor do grupo, e o inevitável choque de personalidades que levou a alguns dos conflitos mais intensos no seio do rock, entre Cherie Currie e Joan Jett, interpretadas por Dakota Fanning, e Kristen Stewart respectivamente.

Baseado no livro de Cherie Currie, e escrito por Floria Sigismondi (que também assina a realização do filme), é um dos relatos mais fieis do que seriam os loucos anos 70 dentro do universo do rock n'roll, onde tudo estava à mão de semear no que toca a experimentar e fazer coisas arrojadas dentro deste estilo de música, em que num segundo se subia ao topo da montanha, e no segundo a seguir caia tudo que nem baralhos de cartas. Aconselho vivamente para fãs da banda como eu.



sábado, 21 de março de 2020

1917 (2019)

6 de Abril de 1917. Nesta data, durante a Primeira Grande Guerra, 2 soldados partem em missão numa verdadeira corrida contra o tempo para entregar uma mensagem a um regimento de infantaria Britânica que se preparava para atacar território inimigo, salvando assim 1600 homens de uma morte certa preparada pelo exército inimigo. 

Sam Mendes, que realizou o filme e escreveu este argumento (juntamente com Krysty Wilson-Cairns), baseou-se nas histórias do seu avô para criar este empolgante épico sobre coragem, medo, e superação, para que a Humanidade nunca se esqueça de que mesmo em tempos tiranos que nos roubam toda a esperança, o melhor dos Homens vem ao de cima através de actos de verdadeira Humanidade, numa vertiginosa corrida contra um dos nossos maiores inimigos: o tempo. E como ele é precioso, enquanto o espectador é mergulhado no desespero da guerra. Sem pausas.

A música de Thomas Newman é sem dúvida um dos pontos altos do filme, assim como a brilhante cinematografia de Roger Deakins, que dá a ideia de que todo o filme se desenvolve num único plano, e numa única cena, sem esquecer na minha opinião, outro grande ponto alto do filme que é a interpretação de George MacKay (Lance Corporal Schofield), cuja alma da personagem brota do mais infértil solo para transmitir toda a agonia vivida durante esta fustigante viagem. Sam Mendes dá ao mundo uma história que pode inspirar a Humanidade em ter vontade de se tornar mais humana, e como isso em tempos de quarentena pode ser vital para o nosso amanhã.



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Marriage Story (2019)

Drama com alicerces seguros de compaixão, comédia suave, e romance sem ser previsível é o que se pode esperar deste filme, realizado por Noah Baumbach, que igualmente escreveu um brilhante argumento sobre um casal que enfrenta a deterioração progressiva do seu casamento até ao divórcio, passando por todas as fases duras e complicadas aliadas a este tipo de situação tão fracturante na vida de qualquer pessoa. Mais um filme que foi parar directamente à Netflix, plataforma de streaming que tem apostado muito no Cinema de autor, e que apresenta aqui um título com bastante qualidade.

No meio deste agitado conflicto entre um casal que apesar de tudo ainda quer salvar algo da relação, transborda uma certa ternura misturada com amargura, uma espécie de sentimento quase palpável e ao mesmo tempo tão distante que outrora uniu, mas que agora cria problemas e desconforto à volta destas personagens Charlie e Nicole, interpretados brilhantemente por Adam Driver e Scarlett Johansson respectivamente. Um dos grandes papéis do filme, é também o de Laura Dern que interpreta Nora Fanshaw, a advogada que representa Nicole no processo de divórcio.

É uma história cabal de como mesmo que ambas as pessoas já não se amem, podem derrubar os mesmos muros juntos para ultrapassar o turbilhão que se gerou no seio da relação, em nome do que outrora um dia os uniu. 2019 foi um ano extraordinário para o Cinema por variadíssimos motivos, e a prova é que estamos em 2020, e continuo a descobrir filmes de 2019 que me estão a tocar nos pontos certos, mesmo que por vezes não sejam o meu género de filmes, como à partida não seria este. Mas ainda bem que vi isto, e acho que qualquer pessoa que já amou alguém devia fazê-lo também, porque nunca é tarde demais para nos salvarmos a nós próprios.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Birds of Prey and the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn (2020)

Este projecto de Margot Robbie (que também produziu o filme) deu à sua personagem Harley Quinn uma dimensão de especial destaque, num filme onde heroínas e vilões vivem uma anárquica história que entrelaça a viragem na vida de Harley Quinn, que decidiu deixar o seu passado no passado, com outras histórias de sobrevivência de mulheres que se vêem a braços com um objectivo em comum, caso queiram viver. Essas mulheres são Renee Montoya (Rosie Perez), Huntress (Mary Elizabeth Winstead), Black Canary (Jurnee Smollett-Bell), e Ella Jay Basco (Cassandra Cain). O vilão Black Mask, interpretado por Ewan McGregor, que ao contrário do que esperava, tornou-se uma excelente escolha para o papel.

Escrito por Christina Hodson, e realizado por Cathy Yan, é um filme que deixa sobressair de forma natural o poder das actrizes e das suas personagens, com uma subtileza afiada na comédia cavalgante e firmeza nas suas mirabolantes partes de acção, que traz para o género algo que só uma equipa de personagens femininas consegue: uma perspectiva original do que é lutar neste mundo sendo mulher. A profundidade e remodelação destas personagens da DC para este caótico novo mundo, é talvez o que salta à vista num maníaco circo de voltas e mais voltas, onde as aves de rapina têm, apesar do foco ser na Harley Quinn, o seu próprio espaço para contar a sua história, e deixar água na boca por mais. Houve dois temas que foram escolhidos para encaixar no filme, à parte daquelas músicas que foram lançadas na banda sonora original, que me surpreenderam por serem mais rock e menos artificiais (e que músicas que foram escolhidas!). Voltando a Margot Robbie, talvez ela nunca venha a ser reconhecida com prémios de Cinema por interpretar esta personagem, mas este filme é a confirmação de que ela será sempre lembrada por todos como "a Harley Quinn".

O filme é feito de um conjunto de pequenos detalhes humorísticos, de carismáticas referências às bandas desenhadas, de pequenos pormenores que brilham no escuro, e de muitos doces de vários sabores, que no final tornam este filme apetecível para todo o público, mesmo sendo um filme "rated R" vindo de um mundo de super heróis. E isso, também é uma vitória da equipa que trabalhou no filme, que não teve medo de arriscar, e apresentou a viagem até ao ponto de encontro destas personagens, numa fórmula que tem tanto de punk rock, como de festa juvenil, em que a fronteira entre a comédia e a acção oferecem doses de puro entretenimento e adrenalina, sem a necessidade de aumentar o ritmo do filme para que as emoções das personagens não se percam no meio dos foguetes, das margaritas, e das sandes de ovo.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Life of Brian (1979)

Este hilariante filme da equipa Monthy Python é o reflexo de uma das maiores revoluções no humor, não só na história do Cinema, como na sociedade também, e talvez por não se aperceberem disso, tudo neste filme não só agora mas na altura mas também agora, continua fresco, tremendamente divertido, e com rasgos de génio que só grandes comediantes conseguem ter. Um dos filmes que fez despertar o meu gosto pela comédia.

O argumento que transforma a vida de Brian num tormento para o próprio, conta a história dele mesmo que nasce no dia de Natal, ao lado do estábulo de Jesus, sendo constantemente confundido com o "messias" que nasceu nesse mesmo dia. A partir daqui, o carrossel de reboliço que é este argumento vindo da imaginação de Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Michael Palin, e Terry Jones (que realizou o filme), transforma este filme numa das comédias mais fantásticas de sempre.

Não querendo deixar de assinalar a passagem de Terry Jones, um dos maiores génios da comédia de sempre, este filme é talvez o que me mais me marcou não só de Monthy Python, como também como filme de comédia em geral, ombreando apesar de ser um filme dos anos 70, com algumas das melhores comédias que se fizeram bem depois disso, porque o que aqui está, é algo que faz qualquer pedra rir a bom rir.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Jojo Rabbit (2019)

O ponto de partida desta corajosa comédia que relata os acontecimentos de um jovem no exército de Hitler, quando este descobre que a sua mãe esconde uma rapariga Judia em casa é talvez dos pontos de partida com mais risco de dar para o torto, devido ao contexto histórico e à época tenebrosa que a Humanidade viveu por esta altura. Nada que assuste Taika Waititi, que realizou e escreveu um dos argumentos mais arrojados que balança entre o humor e o drama de forma mordaz e consciente.

Apresentar uma sátira que se passa numa época tão negra da História desta forma, é uma demonstração de bravura fantástica, mesmo envolvendo uma das suas mais horríveis figuras em momentos hilariantes, com uma mecânica de envolve nacionalismo, populismo, conceitos simples que ligam humanos a humanos, e a inocência própria de quem ainda acredita que consegue apresentar uma comédia original numa altura em que existem massas cada vez mais intoxicadas por opiniões bacocas, de que não se brinca com isto ou com aquilo. É arte, e ela será sempre provocatória, e a inteligência empregue por Taika Waititi (Hitler), Scarlet Johansson (Rosie), Roman Griffin Davis (Jojo), e Thomasin McKenzie (Elsa), às personagens deste filme prova isso mesmo.

Apesar das enormes pressões que Taika Waititi sofreu para não levar isto até ao fim, não existe aqui nenhum tipo de glorificação a regimes tiranos, e felizmente que o filme viu a luz do dia, e a Academia dos Oscares (à altura desta crónica) reconheceu o nível de excelência desta sátira nomeando o filme para 6 categorias (Melhor Filme, Melhor Atriz Secundária, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Guarda Roupa, Melhor Produção, e Melhor Edição de Imagem). Vejam de espírito aberto uma das melhores comédias de sempre da história do Cinema.