segunda-feira, 9 de setembro de 2019

The Nun (2018)

O spin-off mais aguardado do universo "The Conjuring", a saga de filmes de horror que mais me tem fascinado (e assustado) nos últimos anos, é na verdade, muito mais do que apenas bom entretenimento. Vamos por partes. O conceito em si talvez não seja o mais original, mas é devido ao facto de ter o dedo de James Wan, que isto se torna logo à partida uma coisa interessante, também devido aos planos de câmara, pormenores subtis, e narrativa coesa e simples, que tornam toda a atmosfera vivida ao longo do filme uma experiência que qualquer amante de filmes de terror, como eu, vai gostar.

Fazer cinema de horror, é muito mais difícil do que parece, pois há medida que o tempo vai avançando, os conceitos mais simples por vezes perdem-se durante o desenvolvimento do filme, o que não acontece com este em comparação com outros filmes de horror mais recentes. "The Nun" recupera muitos conceitos simples de outrora, coisas que nós amantes de cinema de terror gostamos, como jogar com as sombras, potencializar o som com outros elementos externos a efeitos sonoros, não inundar a tela de sangue desnecessariamente, e deixar pouco espaço para luz no cenário aparte de alguns pontos, o que só por si, faz com que o trabalho de câmara desta equipa tenha sido um autêntico inferno, e tudo isto aliado a um ambiente de cortar a respiração, profundamente sinistro, e sem aquela violência gratuita típica do gore, faz com que este filme não seja uma experiência em vão.

Em suma, é o filme de terror que nos tem sido prometido desde o "The Conjuring 2", e tardou em chegar. Vejam por vossa conta e risco, mas não estejam à espera de ficar indiferentes, quer seja à atmosfera negra e profundamente claustrofóbica do filme, quer seja ao facto de continuarmos a assistir no univerno "The Conjuring", ao melhor que o cinema de terror tem para nos oferecer desde à alguns anos para cá.




sexta-feira, 6 de setembro de 2019

It Chapter Two (2019)

Dois anos separam o primeiro capítulo do segundo, mas a história deste término da saga do palhaço Pennywise começa 27 anos depois do chamado "The Losers Club", o grupo de jovens que no primeiro filme decidiu enfrentar esta terrível criatura, voltarem a juntarem-se na mesma cidade, depois de se terem separado devido a circunstâncias da vida.

Neste segundo filme realizado novamente por Andy Muschietti, mas que desta vez contou com argumento de Gary Dauberman, aparece um elenco muito mais bem oleado e maduro para elevar toda a trama a um nível mais refinado. Faltando em comparação com o primeiro a inocência dos jovens, que conferia um outro charme ao primeiro filme, sendo que neste o triunfante elenco composto por Jessica Chastain (Beverly Marsh), James McAvoy (Bill Denbrough), e Bill Hader (Richie Tozier) por exemplo, testam não só as capacidades do realizador em entregar algo que seja verdadeiramente assustador, como testa as capacidades de Bill Skarsgård como um fantástico Pennywise, que aparece vil, corrosivo, e amorfo, numa verdadeira ode à obra de Stephen King.

"It Chapter Two" é um robusto blockbuster de terror, com inevitáveis "jump-scares", e que trata das suas duas 2 horas e 49 minutos de duração de forma satisfatória, oferecendo uma experiência que atinge o sistema nervoso do espectador nos pontos certos, e em doses certas, o que por vezes nem sempre acontece quando se fala deste género de Cinema. Felizmente que não é o caso aqui. Podem soltar os balões, e rirem-se ou amedrontaram-se, como preferirem.



domingo, 1 de setembro de 2019

It (2017)

Este remake inspirado no livro de Stephen King "A Coisa", um dos grandes clássicos da literatura de horror, é um produto bem conseguido que mesmo não tendo a mesma eficácia do livro, vale pelo suspense que consegue imprimir a cada momento, desde o início do filme até ao seu final.

No verão de 1989, este grupo de miúdos da pequena cidade do interior, Derry, que sofriam de bullying decidiram juntaram-se para fazer frente e destruir, um palhaço que se conseguia moldar em várias formas, e cujos disfarces são grande parte da alma deste filme, e é o que o distingue na verdade de todos os outros do género, essa mesma capacidade amorfa de poder aparecer em qualquer lado, sobre qualquer forma.

Realizado por Andy Muschietti, tem um argumento eficaz que nos guia por entre pormenores e efeitos visuais bem conseguidos, montagens surpreendentes, e um Bill Skarsgård no papel de palhaço Pennywise bem enquadrado com a sua personagem. Um futuro clássico. Na semana em que estreia a continuação, e término da historia deste "It", "It 2", decidi rever este filme, e recuperar esta crónica, filme este que para mim foi um dos poucos remakes que realmente me fizeram saltar da cadeira.



segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Goodbye Christopher Robin (2017)

Esta espécie de biografia da relação entre Alan Milne e o seu filho, que levou à criação do icónico urso de peluche Winnie The Pooh, é no fundo uma história comovente de um escritor e a relação que tem com o seu filho Christopher Robin de 8 anos, interpretado maioritariamente por Will Tilston, e de como isso joga com as emoções de quem o rodeia.

Se Alan Milne está muito bem interpretado por Domhnall Gleeson, não menos importante é o papel de Margot Robbie como Daphne Milne, a Mulher do escritor, nesta representação de uma família que tem tudo para ser a família modelo da época, com uma vida de sonho, embora o argumento escrito por Frank Cottrell Boyce e Simon Vaughan, gira muito à volta das emoções do escritor e do seu filho.

Realizado por Simon Curtis, é um filme doce, uma espécie de ode à criação da escrita simples para crianças, e de como isso pode brotar de emoções fortes de adultos na suas relações pessoais, sendo que o filme é um pouco mais do que uma simples representação biográfica. É quase um filme de família, que mesmo não sendo animado, vive muito desse espírito de família.



domingo, 25 de agosto de 2019

Terminal (2018)

Quem diz que o suspense e o filmes com uma aura "noir" estão acabados, terá que engolir em seco este "Terminal", que é no fundo uma grande história de vingança, "twists" de argumento engenhosos, e uma penumbra própria que caracteriza os filmes do género, de onde claramente se destaca.

Se Margot Robbie com a sua brilhante prestação no papel de Annie não faz levitar o público mais exigente, com a sua personificação de "femme fatale", Simon Pegg (que interpreta Bill), Dexter Fletcher (que interpreta Vince), e Max Irons (que interpreta Alf), complementam com as suas personagens a definitiva razão pela qual esta trama é tão boa, sendo que num outro plano menos visto, temos Mike Myers (que interpreta Clinton / Mr. Franklyn).

Escrito e realizado por Vaughn Stein, este filme é um revivalismo dos antigos thrillers, com uma sensualidade própria que abraça crime e drama, numa dança de personagens viciadas em objectivos pessoais, que não olham a meios para atingir os fins. Para quem também é fã do trabalho de Margot Robbie, é sem dúvida uma película a descobrir.



sábado, 24 de agosto de 2019

I, Tonya (2017)

Este biografia de Tonya Harding, é talvez o papel mais desafiante que a actriz Margot Robbie teve até hoje, e depois de se assistir a esta história de vida, com tudo o que uma história de vida tem, desde drama a comédia, desde altos e baixos, e desde certezas a incertezas, percebe-se o porquê.

Esta retrospectiva da vida de Tonya Harding, uma patinadora de gelo que subiu a pique contra todas as adversidades da vida, tornando-se parte da equipa de patinagem de gelo que foi aos Jogos Olímpicos pelos Estados Unidos, é uma corrosiva e intensa trama que retrata boa parte das dificuldades de uma mulher nascida num meio bastante difícil, com uma conjuntura bastante complicada à sua volta, e que persegue com unhas e dentes o seu sonho, porque mesmo contra todas as farpas que a vida lhe mandou, ela continuou a perseguir o seu sonho, com todas as dúvidas de uma personalidade complicada, e com todas as certezas de uma mente que por caminhos tortos, lá encontrou o seu rumo.

Escrito por Steven Rogers, e realizador por Craig Gillespie, é um filme tremendo sobre dedicação ao que se gosta, e Margot Robbie teve aqui a sua primeira nomeação para os Oscares interpretando Tonya Harding (merecia tanto o Oscar na minha opinião) de forma brilhante, sendo que o restante elenco comporto por Sebastian Stan (Jeff), Allison Janney (LaVona, vencedora do Oscar para Melhor Actriz Secundária), Julianne Nicholson (Diane Rawlinson), e Paul Walter Hauser (Shawn), complementam um leque de excelentes interpretações, com momentos deliciosos de entrega às suas personagens.



quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Mary Queen of Scots (2018)

Este filme é uma retrospectiva histórica dos conflitos de poder e jogos de interesse entre tronos, neste caso entre os reinos de Inglaterra, e da Escócia. De um lado, a brilhante Saoirse Ronan que interpreta Mary Stuart, e do outro a também talentosa Margot Robbie, que tem a responsabilidade de interpretar a Rainha Elisabete I.

Realizado por Josie Rourke, e baseado no livro de John Guy "Queen of Scots: The True Life of Mary Stuart", este argumento escrito por Beau Willimon conduz o espectador por um período tenso da história das Ilhas Britânicas em que as figuras centrais são duas mulheres com imenso poder, e com interesses muito fortes que levam a conflitos internos que podem tomar proporções fracturantes, sendo que não podiam ter escolhido melhores actrizes para este filme, sendo que considero que ambas são perfeitas para os respectivos papéis. Destaque também para os sotaques usados durante os diálogos do filme, que concedem a esta película um charme especial.

Nomeado para Melhor Guarda Roupa para os Oscares, entre tantas outras nomeações em outros festivais de Cinema, é um registo que é importante que retrata o amor à terra, ao povo e à independência, e que mostra também o quanto as as relações entre monarquias podem ser cruéis, e mesmo não tendo ganho a estatueta para a qual o filme foi nomeado, é sem dúvida um grande retrato daquele período em específico.