segunda-feira, 9 de setembro de 2019

The Nun (2018)

O spin-off mais aguardado do universo "The Conjuring", a saga de filmes de horror que mais me tem fascinado (e assustado) nos últimos anos, é na verdade, muito mais do que apenas bom entretenimento. Vamos por partes. O conceito em si talvez não seja o mais original, mas é devido ao facto de ter o dedo de James Wan, que isto se torna logo à partida uma coisa interessante, também devido aos planos de câmara, pormenores subtis, e narrativa coesa e simples, que tornam toda a atmosfera vivida ao longo do filme uma experiência que qualquer amante de filmes de terror, como eu, vai gostar.

Fazer cinema de horror, é muito mais difícil do que parece, pois há medida que o tempo vai avançando, os conceitos mais simples por vezes perdem-se durante o desenvolvimento do filme, o que não acontece com este em comparação com outros filmes de horror mais recentes. "The Nun" recupera muitos conceitos simples de outrora, coisas que nós amantes de cinema de terror gostamos, como jogar com as sombras, potencializar o som com outros elementos externos a efeitos sonoros, não inundar a tela de sangue desnecessariamente, e deixar pouco espaço para luz no cenário aparte de alguns pontos, o que só por si, faz com que o trabalho de câmara desta equipa tenha sido um autêntico inferno, e tudo isto aliado a um ambiente de cortar a respiração, profundamente sinistro, e sem aquela violência gratuita típica do gore, faz com que este filme não seja uma experiência em vão.

Em suma, é o filme de terror que nos tem sido prometido desde o "The Conjuring 2", e tardou em chegar. Vejam por vossa conta e risco, mas não estejam à espera de ficar indiferentes, quer seja à atmosfera negra e profundamente claustrofóbica do filme, quer seja ao facto de continuarmos a assistir no univerno "The Conjuring", ao melhor que o cinema de terror tem para nos oferecer desde à alguns anos para cá.




sexta-feira, 6 de setembro de 2019

It Chapter Two (2019)

Dois anos separam o primeiro capítulo do segundo, mas a história deste término da saga do palhaço Pennywise começa 27 anos depois do chamado "The Losers Club", o grupo de jovens que no primeiro filme decidiu enfrentar esta terrível criatura, voltarem a juntarem-se na mesma cidade, depois de se terem separado devido a circunstâncias da vida.

Neste segundo filme realizado novamente por Andy Muschietti, mas que desta vez contou com argumento de Gary Dauberman, aparece um elenco muito mais bem oleado e maduro para elevar toda a trama a um nível mais refinado. Faltando em comparação com o primeiro a inocência dos jovens, que conferia um outro charme ao primeiro filme, sendo que neste o triunfante elenco composto por Jessica Chastain (Beverly Marsh), James McAvoy (Bill Denbrough), e Bill Hader (Richie Tozier) por exemplo, testam não só as capacidades do realizador em entregar algo que seja verdadeiramente assustador, como testa as capacidades de Bill Skarsgård como um fantástico Pennywise, que aparece vil, corrosivo, e amorfo, numa verdadeira ode à obra de Stephen King.

"It Chapter Two" é um robusto blockbuster de terror, com inevitáveis "jump-scares", e que trata das suas duas 2 horas e 49 minutos de duração de forma satisfatória, oferecendo uma experiência que atinge o sistema nervoso do espectador nos pontos certos, e em doses certas, o que por vezes nem sempre acontece quando se fala deste género de Cinema. Felizmente que não é o caso aqui. Podem soltar os balões, e rirem-se ou amedrontaram-se, como preferirem.



domingo, 1 de setembro de 2019

It (2017)

Este remake inspirado no livro de Stephen King "A Coisa", um dos grandes clássicos da literatura de horror, é um produto bem conseguido que mesmo não tendo a mesma eficácia do livro, vale pelo suspense que consegue imprimir a cada momento, desde o início do filme até ao seu final.

No verão de 1989, este grupo de miúdos da pequena cidade do interior, Derry, que sofriam de bullying decidiram juntaram-se para fazer frente e destruir, um palhaço que se conseguia moldar em várias formas, e cujos disfarces são grande parte da alma deste filme, e é o que o distingue na verdade de todos os outros do género, essa mesma capacidade amorfa de poder aparecer em qualquer lado, sobre qualquer forma.

Realizado por Andy Muschietti, tem um argumento eficaz que nos guia por entre pormenores e efeitos visuais bem conseguidos, montagens surpreendentes, e um Bill Skarsgård no papel de palhaço Pennywise bem enquadrado com a sua personagem. Um futuro clássico. Na semana em que estreia a continuação, e término da historia deste "It", "It 2", decidi rever este filme, e recuperar esta crónica, filme este que para mim foi um dos poucos remakes que realmente me fizeram saltar da cadeira.



segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Goodbye Christopher Robin (2017)

Esta espécie de biografia da relação entre Alan Milne e o seu filho, que levou à criação do icónico urso de peluche Winnie The Pooh, é no fundo uma história comovente de um escritor e a relação que tem com o seu filho Christopher Robin de 8 anos, interpretado maioritariamente por Will Tilston, e de como isso joga com as emoções de quem o rodeia.

Se Alan Milne está muito bem interpretado por Domhnall Gleeson, não menos importante é o papel de Margot Robbie como Daphne Milne, a Mulher do escritor, nesta representação de uma família que tem tudo para ser a família modelo da época, com uma vida de sonho, embora o argumento escrito por Frank Cottrell Boyce e Simon Vaughan, gira muito à volta das emoções do escritor e do seu filho.

Realizado por Simon Curtis, é um filme doce, uma espécie de ode à criação da escrita simples para crianças, e de como isso pode brotar de emoções fortes de adultos na suas relações pessoais, sendo que o filme é um pouco mais do que uma simples representação biográfica. É quase um filme de família, que mesmo não sendo animado, vive muito desse espírito de família.



domingo, 25 de agosto de 2019

Terminal (2018)

Quem diz que o suspense e o filmes com uma aura "noir" estão acabados, terá que engolir em seco este "Terminal", que é no fundo uma grande história de vingança, "twists" de argumento engenhosos, e uma penumbra própria que caracteriza os filmes do género, de onde claramente se destaca.

Se Margot Robbie com a sua brilhante prestação no papel de Annie não faz levitar o público mais exigente, com a sua personificação de "femme fatale", Simon Pegg (que interpreta Bill), Dexter Fletcher (que interpreta Vince), e Max Irons (que interpreta Alf), complementam com as suas personagens a definitiva razão pela qual esta trama é tão boa, sendo que num outro plano menos visto, temos Mike Myers (que interpreta Clinton / Mr. Franklyn).

Escrito e realizado por Vaughn Stein, este filme é um revivalismo dos antigos thrillers, com uma sensualidade própria que abraça crime e drama, numa dança de personagens viciadas em objectivos pessoais, que não olham a meios para atingir os fins. Para quem também é fã do trabalho de Margot Robbie, é sem dúvida uma película a descobrir.



sábado, 24 de agosto de 2019

I, Tonya (2017)

Este biografia de Tonya Harding, é talvez o papel mais desafiante que a actriz Margot Robbie teve até hoje, e depois de se assistir a esta história de vida, com tudo o que uma história de vida tem, desde drama a comédia, desde altos e baixos, e desde certezas a incertezas, percebe-se o porquê.

Esta retrospectiva da vida de Tonya Harding, uma patinadora de gelo que subiu a pique contra todas as adversidades da vida, tornando-se parte da equipa de patinagem de gelo que foi aos Jogos Olímpicos pelos Estados Unidos, é uma corrosiva e intensa trama que retrata boa parte das dificuldades de uma mulher nascida num meio bastante difícil, com uma conjuntura bastante complicada à sua volta, e que persegue com unhas e dentes o seu sonho, porque mesmo contra todas as farpas que a vida lhe mandou, ela continuou a perseguir o seu sonho, com todas as dúvidas de uma personalidade complicada, e com todas as certezas de uma mente que por caminhos tortos, lá encontrou o seu rumo.

Escrito por Steven Rogers, e realizador por Craig Gillespie, é um filme tremendo sobre dedicação ao que se gosta, e Margot Robbie teve aqui a sua primeira nomeação para os Oscares interpretando Tonya Harding (merecia tanto o Oscar na minha opinião) de forma brilhante, sendo que o restante elenco comporto por Sebastian Stan (Jeff), Allison Janney (LaVona, vencedora do Oscar para Melhor Actriz Secundária), Julianne Nicholson (Diane Rawlinson), e Paul Walter Hauser (Shawn), complementam um leque de excelentes interpretações, com momentos deliciosos de entrega às suas personagens.



quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Mary Queen of Scots (2018)

Este filme é uma retrospectiva histórica dos conflitos de poder e jogos de interesse entre tronos, neste caso entre os reinos de Inglaterra, e da Escócia. De um lado, a brilhante Saoirse Ronan que interpreta Mary Stuart, e do outro a também talentosa Margot Robbie, que tem a responsabilidade de interpretar a Rainha Elisabete I.

Realizado por Josie Rourke, e baseado no livro de John Guy "Queen of Scots: The True Life of Mary Stuart", este argumento escrito por Beau Willimon conduz o espectador por um período tenso da história das Ilhas Britânicas em que as figuras centrais são duas mulheres com imenso poder, e com interesses muito fortes que levam a conflitos internos que podem tomar proporções fracturantes, sendo que não podiam ter escolhido melhores actrizes para este filme, sendo que considero que ambas são perfeitas para os respectivos papéis. Destaque também para os sotaques usados durante os diálogos do filme, que concedem a esta película um charme especial.

Nomeado para Melhor Guarda Roupa para os Oscares, entre tantas outras nomeações em outros festivais de Cinema, é um registo que é importante que retrata o amor à terra, ao povo e à independência, e que mostra também o quanto as as relações entre monarquias podem ser cruéis, e mesmo não tendo ganho a estatueta para a qual o filme foi nomeado, é sem dúvida um grande retrato daquele período em específico.



domingo, 18 de agosto de 2019

Once Upon a Time... in Hollywood (2019)

O nono filme de Quentin Tarantino é uma carta nostálgica em jeito de homenagem à antiga L.A. dos anos 60, sendo que o enredo passa-se durante o ano de 1969. Tudo neste filme é pensado ao pormenor, sendo que o guião, o grande pilar deste filme, é uma homenagem também ao Cinema como arte por si só. É um filme de um amante de cinema, para outros amantes de cinema, que dão a esta arte lugar de destaque nas suas vidas.

Dotado de uma banda sonora incrível, com cenários e personagens fascinantes, e de uma mecânica incrivelmente leve e orgânica, o filme balança entre o glamour e a decadência daquela época, entre o fantástico e o ordinário das relações humanas, e tudo isto acontece muito graças aos diálogos reconhecidos por qualquer amante de Tarantino, com aquele humor negro tão característico do mítico realizador e argumentista (cargos que desempenhou no desenvolvimento da película), que não quis dar ao público "só isto". Conta também com um dos melhores elencos de sempre: Leonardo DiCaprio (Rick Dalton), Brad Pitt (Cliff Booth), Margot Robbie (Sharon Tate), Margaret Qualley (Pussycat), Dakota Fanning (Squeaky Fromme), Mike Moh (Bruce Lee), e Al Pacino (Marvin Schwarz, entre outros. E se é também pelo elenco que este filme se distingue dos outros, observar o guarda roupa das personagens e o outro lado da câmara, é convidar também o espectador para o lado íntimo da criação de um filme.  

Esta história de um grande actor que de repente cai em desgraça, e que juntamente com o seu duplo tentam atingir novamente a fama na indústria cinematográfica da altura, é muito mais do que apenas uma bonita história de amizade. É uma história quente sobre a época de ouro de Hollywood, com pormenores penetrantes que deixam no espectador a fantasia de ter viajado realmente no tempo até àquela altura, com movimentos de câmara tão vivos como revivalistas, sendo que este filme vive muito desse revivalismo, e da saudade de uma época distante com todas as suas coisas boas e más.

Obrigado por isto Quentin Tarantino. É bom saber que quem gosta de Cinema, pode contar contigo sempre que quiser ver um bom filme.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Brightburn (2019)

E se a educação de um suposto Super Homem corresse mal? Mas mesmo muito mal? Esta é a premissa de "Brightburn", em que aqui o realizador David Yarovesky dá uma prespectiva totalmente obscura daquilo que poderia ter sido a história de um ser invencível, caso fosse ele o mal absoluto. Estava muito curioso para ver este outro lado de uma história que tem tanto de fascinante como de macabra.

Escrito por Brian Gunn e Mark Gunn, e produzido entre outros pelo visionário James Gunn, parece quase uma ideia de família criar uma espécie de universo onde estes super seres, poderia eventualmente enveredar por caminhos obscuros. É no fundo, um filme de terror, com um bom guião, por vezes um pouco previsível, mas não obstante eficaz.

É um filme que para quem está familiarizado com este tipo de universos, é um bocado bem passado, e quem sabe se esta ideia não abriu as portas para outras personagens do género, para outras ideias dentro deste formato mais sinistro, sendo que para já, este filme cumpre aquilo a que se propõe.



domingo, 4 de agosto de 2019

Pulp Fiction (1994)

O primeiro contacto que tive com Quentin Tarantino, que me agarrou logo com a sua realização e escrita (em parceria com (Roger Avary), e sinceramente quando olhei para a capa do filme, fiquei impressionado com o elenco do mesmo, que liga de forma fantásticas todas as histórias, que no fundo tornam este filme tão diferente e tão único. Dos filmes que mais me impressionou quando comecei a ver Cinema.

Começando logo com a cena fantástica protagonizada por Tim Roth e Amanda Plummer, o filme dá o mote para aquilo em que Tarantino é mestre: criar grandes diálogos que fluem num argumento fantástico com personagens tão disfuncionais como fascinantes. É quando entram as personagens desempenhadas por John Travolta e Samuel L. Jackson que todo o filme ganha toda uma nova dimensão, que juntamente Bruce Willis e Uma Thurman complementam histórias que ligam todas estas personagens a uma máfia violenta, mas que no fundo procuram a redenção. De referir que Maria de Medeiros está suavemente fascinante neste filme, este outros grandes actores que vão entrando à medida que o filme vai avançando.

Com uma banda sonora absolutamente fantástica, diálogos intemporais e cenas marcantes, este filme é o principal marco na carreira de um realizador único na sétima arte, que ganhou o Oscar para Melhor Argumento Original (merecia muito mais Oscares na minha opinião), entre outras nomeações e prémios por inúmeros festivais de Cinema por todo o mundo. Obrigatório para qualquer fã de Cinema.



sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Kill Bill: Vol. 2 (2004)

Um ano volvido, e é lançada a segunda parte de Kill Bill, a saga da "noiva" mais conhecida por Q, na sua saga vingativa pelo ex-noivo Bill. O que esperar desta segunda parte escrita e realizada por Quentin Tarantino? Na verdade, o mesmo brilhantismo da primeira.

É difícil escolher qual dos 2 filmes é o melhor, pois na verdade um necessita do outro para se complementarem, sendo que esta é a conclusão de uma das melhores histórias escritas por um dos melhores realizadores de sempre. Uma Thurman aparece neste filme com uma voraz interpretação, levada ao limite, ou não estivéssemos a falar do seu papel mais desafiante de sempre. Claro que voltam para este último capítulo David Carradine (Bill), e Michael Madsen (Budd), mas como vilã que deixa o espectador sem folgo, Daryl Hannah (que interpreta One-Eyed Elle) rouba para si todos os elogios que podemos dar à personagem que encarna.

Desde a banda sonora aos diálogos, desde a fluência do argumento aos cenários, e com aquele feeling "wild west" com "road movie" mergulhado numa tragédia Grega, Kill Bill seja que parte for é já um clássico por si só, e esta segunda parte veio reforçar ainda mais a minha ideia de que estes 2 filmes de Quentin Tarantino, foram dos mais desafiantes, dos mais engenhosos, e do mais extraordinário que o realizador e argumentista já fez. Bravo. Quando olho para a Beatrix Kiddo não posso deixar passar em claro que é uma personagem do caraças.



quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Kill Bill: Vol. 1 (2003)

Está tremenda história de vingança escrita por parte de Quentin Tarantino, deixou-me obviamente intrigado, e quando olhei para o elenco que conta com Uma Thurman (que protagoniza The Bride / Beatrix Kiddo, figura central da trama), Lucy Liu, Vivica A. Fox, Daryl Hannah, David Carradine, e Michael Madsen entre outros, fiquei na expectativa de um grande filme, que acabou por ser um pouco mais do que isso.

Depois de acordar de um coma de 4 anos, após uma trágica tentativa de assassinato, uma antiga assassina jura vingança contra o grupo de assassinos que a traiu, e se por ventura esta premissa não é suficiente para verem o filme, saibam que a mecânica do mesmo é fantástica, e que as personagens são tão diabólicas como fascinantes. É uma película carregada de acção, sendo uma homenagem também ao Cinema Nipónico, e tendo como centro da personagem uma mulher, coisa que na altura era pouco visto neste tipo de papéis.

Escrito igualmente por Tarantino, conta com uma banda sonora mais uma vez de grande nível, assim com o argumento e realização igualmente ímpares. Daqueles filmes que mesmo sabendo que não é uma obra erudita, marca pela sua frenética acção, e pelo o quão divertido é ver essa acção acontecer de uma forma que mistura humor negro com excelentes representações, especialmente de Uma Thurman, uma actriz que adoro. Um dos meus filmes preferidos de sempre, assim como a parte 2, cuja crónica estará disponível amanhã.





terça-feira, 30 de julho de 2019

Death Proof (2007)

Muito simples, e muito bem feito. Quentin Tarantino juntamente com o produtor Robert Rodriguez, escrevem uma espécie de "road movie", que à partida até poderia ser apenas uma qualquer película série B, mas é bem mais divertido e solto do que à partida se poderia esperar. E é muito bem escrito.

Na verdade, o argumento de duas mulheres separadas que são seguidas em alturas diferentes por um antigo duplo de corridas, que usa o seu carro "à prova de morte" para executar os seus planos assassinos, poderia ser apenas mais uma história vinda de uma mente juvenil que está a começar no mundo do Cinema, e talvez até seja esse o propósito de Tarantino neste filme, voltar a ter essa inocência de quem começa, e se assim for do meu ponto de vista, isto está brilhante de tão hilariante que é. Aliás, o filme ainda conta com um excelente elenco (Kurt Russell, Zoë Bell, Rosario Dawson, etc.) que provavelmente pensaram o mesmo quando leram o argumento.

Pode não ser reconhecido como um grande filme na carreira de Tarantino, mas para mim foi uma lufada de ar fresco na carteira do realizador, que conta igualmente com uma excelente banda sonora, e cenas insanas com carros que fazem inveja a qualquer grande blockbuster com automóveis.



segunda-feira, 29 de julho de 2019

Inglourious Basterds (2009)

Um dos filmes que mais gostei de Quentin Tarantino foi este "Sacanas Sem Lei", cujo argumento assenta sobre um grupo de soldados Americanos de ascendência judaica, que organiza um plano para assassinar chefes Nazis durante a ocupação de França, em plena Segunda Grande Guerra. Tal como todos os argumentos de Tarantino, tudo assenta numa premissa simples com um grande desenvolvimento da personagens que entram na trama.

Brad Pitt como protagonista principal (Lt. Aldo Raine), lidera esse grupo que terá a insana tarefa de levar a cabo o ambicioso plano que poderá decidir o desfecho da Guerra. Eli Roth protagoniza Sgt. Donny Donowitz, o braço direito de Lt. Aldo Raine, mas não é o único actor com uma prestação fantástica. Mélanie Laurent (a mulher de armas Shosanna), Christoph Waltz (Col. Hans Landa), Michael Fassbender (Lt. Archie Hicox), e Diane Kruger (Bridget von Hammersmark), têm também excelentes prestações que agarram o espectador deste o primeiro momento em que se toma contacto com a personagem.

Escrito também por Quentin Tarantino, é mas uma brilhante obra de Cinema de quem já não tem nada a provar na sua arte. Apenas brindar-nos com o génio de quem num mundo cinematográfico cada vez com mais efeitos especiais e ecrãs verdes (não tenho nada contra, é apenas uma observação), consegue desenvolver uma grande história sobre Guerra, com aventura e drama, e uma visão única que emana excelência.



domingo, 28 de julho de 2019

Blade Runner (1982)

Em jeito de homenagem a Rutger Hauer que nos deixou durante a semana, deixo aqui a crónica a uns dos melhores filmes dos anos 80, com uma abordagem arrojada e futurista a uma história que acontece exactamente no futuro, que conta também com Harrison Ford, e foi dirigida pelo não menos mítico Ridley Scott.

A trama roda em torno de um "Blade Runner", que tem que perseguir e eliminar quatro réplicas que roubaram uma nave no espaço, e regressaram à Terra para encontrar o seu criador. Parece um comum filme de ficção científica, mas é muito mais do que isso. É uma viagem até a confrontos emocionais, numa época apocalíptica em que tudo parece vergado à vontade do Homem dominante, e em que as máquinas, ou seres artificiais, começam a descobrir o que é isto da Humanidade, e o confronto essa aprendizagem com os "humanos" é a alma deste filme escrito por Hampton Fancher e David Webb Peoples.

Nomeado para 2 Oscares e com uma banda sonora assinada por Vangelis, este filme é um dos grandes marcos da carreira dos actores Harrison Ford, e de Rutger Hauer, sendo que Ridley Scott revela neste filme porque é um realizador com uma visão bastante diferente do comum, e que esta nova aposta que se viria a tornar um clássico, é um filme obrigatório para quem adora ficção científica.



domingo, 7 de julho de 2019

Spider-Man: Far from Home (2019)

Na ressaca do colossal "Avengers: Endgame", e depois da primeira incursão a solo em "Homecoming" desta versão mais adolescente do Spider Man, eis que chega "Far From Home", o filme que inicia a fase 4 da MCU. Realizado por Jon Watts, e escrito por Chris McKenna, Tom Holland (que interpreta de forma brilhante o seu Spider Man) conta ainda com as excelentes interpretações de Samuel L. Jackson (Nick Fury), Jake Gyllenhaal (Mysterio), Marisa Tomei (May Parker), Zendaya (MJ), e Jacob Batalon (Ned).

É uma viagem totalmente louca, de dimensões tão suaves como perigosas, com um argumento bastante eficaz e coeso o suficiente, para que o espectador nunca tenha um único momento de tentação em tirar os olhos do ecrã. Uma mistura frenética de brilhantes efeitos visuais e relações adolescentes, com uma banda sonora incrível, que assenta que nem uma luva em todos os momentos do filme. Peter Parker ainda a tentar encontrar o seu lugar neste universo, terá que tomar algumas das maiores decisões da sua vida, sendo que a tremenda adrenalina provocada pelas voltas que o filme dá, é de uma vertiginosa insanidade própria de uma viagem, que só neste momento a Marvel Studios consegue proporcionar.

Este filme é o pé na porta de Tom Holland como Spider-Man, ao nível das melhores interpretações de sempre do herói, que ainda brinda o espectador com deliciosos momentos de comédia, e um estilo muito próprio de representar esta icónica personagem.  Realço apenas mais uma última coisa: tenho realmente pena de quem saiu da sala, e não ficou para ver as cenas pós-créditos. Que loucura. É um sacrilégio não ficar mesmo até ao final do filme, para se perceber tudo aquilo que acabou de acontecer. E vale bem a pena!

Obrigado Stan Lee e Steve Ditko.



quinta-feira, 4 de julho de 2019

Yesterday (2019)

Solto, fresco, divertido à brava, e cheio de momentos geniais quer em termos de actuação, quer em termos musicais. É muito disto do que é feita esta comédia musical "Yesterday", realizada por Danny Boyle, com argumento de Jack Barth. Na verdade a história é tremendamente simples, e ao mesmo tempo tem uma dose de loucura colossal: e se um dia acordássemos num mundo em que ninguém conhece-se a música dos "The Beatles", senão nós?

Pois é... foi isso que aconteceu a Jack Malik, interpretado por Himesh Patel, um músico sem reconhecimento que um dia acorda numa época em que ninguém conhece a música da banda de Liverpool, senão ele. Insano não? Mas é profundamente divertido. Todo o choque de realidade neste filme tem tanto de divertido como de vertiginoso, em que as peripécias se misturam com o sucesso, e todo um alucinante mundo novo que Jack vai desbravar ao som das canções dos "The Beatles". 

Contado igualmente com uma prestação notável de Lily James (que interpreta Ellie Appleton no filme), é uma comédia musical vinda do Reino Unido que tem fantasia, mas também muito do sentimento muito real do que é passar-se do 8 ao 80, num ápice incrível de bons momentos, inseguranças deliciosos, e momentos tão dramáticos quando divertidos. Provavelmente, será a comédia do ano.




quarta-feira, 3 de julho de 2019

Annabelle Comes Home (2019)

Depois do tenebroso spin-off "The Nun", o demónio do segundo filme da saga da saga "The Conjuring", eis que chega a terceira sequela da boneca maldita que iniciou este franchise, e que veio retomar a credibilidade à própria personagem depois de um segundo filme "Annabelle Creation", que ficou aquém das expectativas. Nunca fui muito de falar de filmes de terror, até porque embora seja fã, não me sinto muito à vontade para escrever uma crónica sobre um filme do género na verdade, e se o fizesse, teria que gostar muito do filme.

Para todos aqueles que estão familiarizados com os anteriores capítulos, este filme é daquele tipo de história que vai explorar as poucas partes que ficaram por explorar do espírito que habita a boneca mais diabólica que à memória, sendo que a trama tem toda uma outra dimensão por se passar em casa da família Warren, que não estando em casa, deixa ao cuidado da sua filha uma babysitter que não resiste à tentação de entrar na cave onde tudo pode acontecer, de errado claro está. Para os outros, sentem-se bem, respirem fundo, e agarrem-se à cadeira. 

Escrito por James Wan (realizador dos primeiros 2 capítulos da saga "The Conjuring", e produtor de "The Nun"), este filme com assinatura na realização de Gary Dauberman é um "dejá-vu" da primeira película da saga "Annabelle" (e "The Conjuring igualmente), com notáveis pormenores que vão manter a atenção do espectador sempre no ecrã, com o típico efeito "jump-scare" que não se resume a ser seco, pois aqui existe muito mais para mostrar do que à partida, poderíamos pensar. Uma casa de horrores que entretém com efeitos eficazes.



quarta-feira, 26 de junho de 2019

Se7en (1995)

Tão simples, tão bom. Um detective experiente, e um detective recém chegado à profissão, perseguem um assassino que usa os sete pecados mortais nos seus crimes. E porque é que um filme com uma premissa tão simples, realizado por David Fincher, com um argumento escrito por Andrew Kevin Walker é tão soberbo?

A verdade é que é difícil de explicar toda a química que existe entre Morgan Freeman, Brad Pitt, e Kevin Spacey com esta história que tem tanto de fascinante como de tenebrosa. Embora tenha arrebatado prémios uns atrás dos outros em variadíssimos festival, por incrível que pareça um dos melhores thrillers policiais de sempre apenas teve uma nomeação para "Melhor Edição".

É tão complexo e tão intrínseco, que chega a ser quase um crime por si só piscar o olho durante este filme que está cheio de pormenores deliciosos de realização e de trabalho de actor. Só grandes actores podem transformar uma simples ideia em algo digno de reconhecimento, e este filme é o perfeito exemplo disso.



terça-feira, 25 de junho de 2019

Walk The Line (2005)

Este musical em jeito de crónica da vida do artista country Johnny Cash, é uma biografia da vida do mesmo, que vai para além da sua música, entrando pela vida pessoal do artista, das suas virtudes e também dos seus vícios, desde a infância até boa parte da sua vida adulta, em que já era um artista consagrado com uma das maiores lendas da música "folk" dos Estados Unidos.

Joaquim Phoenix teve a coragem de representar o artista no grande ecrã, com o carisma que se impunha e que é reconhecido na sua interpretação, sendo que a seu lado teve também uma excelente prestação de Reese Witherspoon (June Carter), que venceu o Oscar para Melhor Actriz Principal, e é à volta da interacção destas duas personagens que reside a grande alma do filme, e em que existem os momentos mais marcantes do mesmo. Aliada sempre à fantástica música do artista, este filme realizado e escrito por James Mangold (com a ajuda de Gill Dennis na escrita do argumento) foi baseado no livro que o próprio Johnny Cash escreveu, sendo que este filme foi altamente aclamado pela crítica, sendo que recebeu inúmeros prémios, entre outras nomeações para os Oscares.

Este filme é um marco não só nos filmes biográficos, mas também é um dos melhores musicais que podem ser vistos, e que bom que é este filme sobre aquele que é considerado o melhor escritor de canções de todos os tempos, que não sendo um músico virtuoso, e tendo uma vida pessoal extremamente atribulada, foi sem dúvida uma das mais influentes figuras de uma América profunda, e que se veio a tornar um ícone não só no seu género, mas na música em geral. Brilhante.